Olá fieis leitores!
Segue crônica conforme combinado.
Deu um trabalho... Espero que gostem!
Adalto, menino do interior, saía toda tarde com seus colegas para a praça da cidade ver sua grande paixão: mo-to-ci-cle-tas.
Era uma variedade sem tamanho: modelos customizados, cores inovadoras, estilos diferentes... e todas sempre “ocupadas” de belas gatas que despertavam um olhar mais curioso e apurado. Sua avó não gostava nada, nada, dessas saídas nos fins de tarde e sempre reclamava:
- Adaltim, meu filho, é perigoso esse vai e vem na rua! Chega aqui dentro!
O menino já não agüentava mais só olhar e exclamou, apontando para as sonhadas motocicletas:
- Vó, eu quero uma motinha dessas... uma gata dessas... e sair por ai... bem ligeiro... ouvindo um rock! Hoho...
Olha só, como pode?! Adalto era só um menino! Seus nove anos não lhe permitiam tal independência. Mesmo assim, sua avó Maria, como toda avó, não se fez de coitada! Vestiu a “roupa da audácia”, quebrou seu cofrinho com preciosas economias de sua aposentadoria e realizou o desejo do neto.
Uma semana depois, quando Adalto chega da escola, eis a surpresa da vovó!
- Adaltim, meu filho, a vovó comprou essa moto linda pro’cê! Tem motor, espelho, cesta atrás... Mas não pode andar na praça, viu?! Cê ainda é muito novo pra se aventurar com ela por lá. Gostou?
Minha Nossa Senhora dos netos sonhadores... Era tudo que Adalto sempre quis! Seus olhos marejados e cheios de emoção nem acreditavam que aquilo tudo era verdade. Mas faltava o que tanto chamou sua atenção na garoupa das outras motocicletas...
- Ai, vovó! Nem acredito...
Vovó Maria, depois de dar muitos beijinhos e cheirinhos no único netinho preferido, vai buscar outra surpresa enquanto ele começa a olhar os detalhes, por capacete, mexer nos botões... Afinal, ele é o mais novo motorizado da cidade. A vozinha sustentável, optou por uma bateria solar. É isso ai! E com ar de suspense e passos marcados, ela chega com uma linda convidada.
Adalto não consegue mudar a direção do olhar... Seus olhos brilham lindamente. Parece estar sonhando com tudo aquilo! Então, a vovó apresenta:
- Filho, pensou que esqueci, né?! Essa aqui é a Amy, ela vai co’cê. Ligue meu radim de pilha, tem chitãozinho na AM, viu?! Bote som ai e... vão com tudo!
Adalto, tímido e um pouco sem jeito, acomoda Amy na traseira do tricírculo e, eufórico, liga o rádio e sai em disparada pela casa. A ansiedade nem lhe faz escolher uma música. Sua avó se assusta com toda aquela empolgação e grita em alerta:
- Cuidado com o sofáaaaaaaaa!
Pow!
Vixe!
Depois da colisão, um gemido de socorro tenta sufocar o som do rádio:
- miaaaaaaaauuuuu...
Beijos, boas leituras e até mais!
Yara Peres