sexta-feira, 1 de julho de 2011

Idosos: além de um simples cifrão

O idoso no Brasil é sinônimo de superação. Fazer valer seus direitos, conquistar seu espaço no mercado, entre outros desafios, contribuem na busca pelo reconhecimento da sociedade. Eles movimentam consideravelmente a economia nacional, mas querem muito mais.
Nos últimos dez anos, a população idosa teve um crescimento de quase cinqüenta por cento no país. Com isso, têm sido um dos pilares da família brasileira aquecendo o setor econômico, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De olho nessa renda fixa, o comércio seduz idosos com facilidades em financiamentos e empréstimos, em sua maioria desnecessários, a serem liquidados a perder de vista. Para aposentados e pensionistas, o valor da parcela é descontado diretamente junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), ou seja, não há intervenção do beneficiário. Isso garante às instituições pagamento em dia. Perfeito para os credores.
Para comprometer rendimentos, a burocracia parece não existir. Porém, quando se trata de exercer direitos, ela logo se apresenta. O transporte coletivo, em sua maioria, ignora o Decreto nº 5.934, da Lei nº 10.741/2003 do Estatuto do Idoso, que determina gratuidade ou meia passagem nas viagens interestaduais. A fiscalização deixa a desejar e contribui para o crescimento de reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor. Lutar por seus direitos é essencial e exige pressa, principalmente nessa idade. Mesmo com os procedimentos morosos da justiça, nem tudo está perdido.
Apesar de algumas armadilhas por aí, ainda é possível usufruir de benefícios dessa fase tão especial de nossas vidas de uma maneira positiva e bastante divertida: concursos culturais, de dança, projetos de socialização e inclusão digital, e até turismo diferenciado com descontos especiais, agitam grupos mais aventureiros de “jovens senhores”.
Reconhecer a importância dos idosos ainda é pouco diante dos obstáculos impostos diariamente, mas já é um grande avanço. Não basta somente o incentivo, mesmo pequeno, de algumas empresas privadas e do Governo. O fundamental é cumprir o princípio básico de convívio social: o respeito a todas as idades.

Yara Peres

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